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Curso de Soldagem: MIG, TIG e eletrodo, o ofício mais bem pago da indústria

Processos, qualificação de soldador, salários por setor e o investimento necessário para viver de solda no Brasil ou fora dele.

7 min

Soldagem é uma das poucas profissões manuais em que a escassez de mão de obra qualificada é admitida abertamente pela indústria. Estaleiros, refinarias, montadoras, fabricantes de implementos rodoviários, indústrias de alimentos e empresas de manutenção industrial disputam soldadores que consigam passar em teste de qualificação — e reprovam a maioria dos candidatos. O motivo é simples: soldar é uma habilidade motora refinada, treinada em horas de cabine, que nenhum vídeo substitui. Quem investe nesse treino entra em um mercado onde o salário é definido pela qualidade do cordão, não pelo diploma.

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As faixas de remuneração explicam o interesse. Um soldador em manutenção geral ganha de R$ 2.500 a R$ 4.500 em CLT. Um soldador qualificado em TIG para aço inox e tubulação chega de R$ 5.000 a R$ 9.000. Em obras de parada de refinaria, plataformas e projetos industriais de grande porte, com adicional de periculosidade, horas extras e diárias, ultrapassar R$ 12.000 por mês é comum, ainda que em regime intenso. Como autônomo, uma pequena serralheria ou prestação de serviço em solda de portões, grades, estruturas metálicas e reparos fatura de R$ 5.000 a R$ 20.000 mensais, dependendo da carteira de clientes e da estrutura.

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Os processos que o mercado exige

O eletrodo revestido, ou SMAW, continua sendo a porta de entrada: equipamento barato, tolerante a vento e sujeira, ideal para manutenção, estrutura metálica e serviço externo. É o processo que mais aparece em obra e o primeiro a ser ensinado, com eletrodos de fabricantes como ESAB, Böhler e Lincoln Electric.

O MIG/MAG, ou GMAW, domina a produção em série: montadoras, implementos rodoviários da Randon, fabricantes de móveis metálicos e linhas de fabricação em geral. Tem alta taxa de deposição, facilidade de aprendizado e excelente produtividade, mas exige ambiente protegido de vento e regulagem correta de gás, arame e tensão.

O TIG, ou GTAW, é o processo de maior valor agregado. Usado em aço inox, alumínio, titânio e tubulações de indústrias alimentícias, farmacêuticas e químicas, ele exige controle fino das duas mãos e produz o acabamento mais limpo. É o processo em que a diferença salarial entre um soldador mediano e um excelente fica mais evidente. Arco submerso e eletrodo tubular completam o quadro em aplicações industriais específicas.

Qualificação: o que realmente vale no currículo

Certificado de curso comprova que você estudou; qualificação comprova que você sabe soldar. Os testes seguem códigos como o ASME Seção IX, a AWS D1.1 para estruturas de aço e a norma Petrobras N-133, e são feitos por posição — plana, horizontal, vertical e sobrecabeça, identificadas por códigos como 1G, 3G e 6G. O corpo de prova é submetido a ensaios visuais, radiográficos, de dobramento ou de líquido penetrante, executados por laboratórios credenciados.

Um soldador qualificado em 6G para tubulação, por exemplo, tem acesso a vagas e diárias que nenhum outro perfil alcança. Vale planejar a carreira em degraus: começar em eletrodo e MIG, faturar com manutenção e serralheria, e financiar com esse dinheiro o treino intensivo em TIG e a qualificação em posições difíceis. Também é a rota mais comum de quem busca trabalho no exterior, onde soldadores brasileiros são bem avaliados em Portugal, Canadá e países do Oriente Médio.

Curso de Soldagem: MIG, TIG e eletrodo, o ofício mais bem pago da indústria
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Onde estudar e quanto investir

O SENAI é o padrão nacional em formação de soldadores, com cabines individuais, instrutores certificados e cursos que vão de 80 a 600 horas, incluindo trilhas específicas por processo. Institutos federais, ETECs e escolas técnicas privadas oferecem cursos técnicos em Soldagem e Mecânica com estágio. Fabricantes como ESAB e Lincoln Electric mantêm centros de treinamento e material técnico gratuito de excelente qualidade, e há escolas independentes especializadas em preparação para teste de qualificação.

Os valores em 2026 ficam entre R$ 600 e R$ 3.500 nos cursos livres por processo, e de R$ 3.000 a R$ 9.000 em formações completas com preparação para qualificação. O teste de qualificação em laboratório credenciado custa de R$ 400 a R$ 1.500 por posição e processo. Montar uma estrutura autônoma exige de R$ 4.000 a R$ 15.000: inversora de solda, máscara de escurecimento automático, esmerilhadeira, morsa, bancada, cilindro de gás, EPIs completos e ferramentas de corte.

Segurança, saúde e longevidade na profissão

Solda envolve radiação ultravioleta, fumos metálicos, respingos incandescentes, ruído e risco elétrico. A NR-18 rege a segurança em canteiros de obra, a NR-33 trata de espaço confinado — situação frequente em tanques e vasos de pressão — e a NR-35 cobre trabalho em altura. Máscara com filtro adequado, luvas de raspa, mangote, avental, protetor auricular, exaustão e respirador não são detalhes: são o que mantém o profissional produtivo por décadas.

Quem cuida da saúde e continua treinando novos processos tende a migrar com o tempo para funções de inspeção, supervisão de soldagem ou instrução, faixas em que a remuneração se mantém alta sem o desgaste físico da cabine. Cursos de inspetor de soldagem nível 1 e 2, pela FBTS, são o caminho mais valorizado nessa transição.

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